quinta-feira, 14 de abril de 2011

Ruas



(Foto da Internet)

Brisa que se expande nas larguras do céu de Brasília. Caminhos onde bicicletas deslizam, na velocidade dos pneus finíssimos. O olhar inquieta-se na penumbra da noite clara. Medo de assalto, após outros roubos da vida. Lua crescendo a lá na frente na pista, após um programa, uma moça esguia, alta, vestindo botas de “Uma linda mulher”, rebolando loucamente, com seu mini-short rasgado, como as calças dos anos 80, exibindo a pele da bunda lisa, sem estrias ou celulites, sem marcas da flacidez imposta pelo tempo e suas leis físicas, salta de um carro escuro. Cinturinha de pilão, tatuagem miúda e do outro lado da calçada, homens engravatados, pós-culto evangélico, experimentam as diferenças dos fatos. Não me atendo a olhares de extremos, apenas ao equilíbrio da puta sobre o salto-fino, e ao meu próprio equilíbrio sobre a bicicleta. Depois de um tempo repensando as coisas, me coube a dúvida se a puta era moça ou moço.

Bem à frente, um mendigo e seu vira-lata, exalam a realidade das ruas e da vida na cidade. Dois homens altamente embriagados consolam-se agarrados na garrafa de água ardente. Conversam alto, esboçam histórias, desequilibram-se simultaneamente sobre o piso firme do asfalto, na decadência das noites.
Bares, movimento, cursos, esquinas que dizem não haver por aqui, outras putas contornando a cabeça dos homens, dão vida a vida na aqui.


Eliz Pessoa

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